segunda-feira, 20 de março de 2017

Choveu

Naquela noite eu pisei descalça no quintal úmido
– era a primeira vez que isso me acontecia na casa.
Meu reflexo apareceu no vidro da porta,
me vi.
Meus cachos dançavam ao redor
sacudi aquele mar negro de brilho.
E quis um retrato
Mas, a máquina no andar de cima
Soou como preguiça
e medo de perder o instante,
(raro)
de me ver...linda
na lida dos dias me esqueço disso
: amar(me)
Me fotografei com os olhos,
versos,
alma.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Distância regulamentar



Então, início da manhã,
Resolvo agradecer
A generosidade daqueles que,
de muitos modos,
Me oferecem
Um laboratório da solidão
Num dia lição de lisura
No vazio
No outro
o franco atirador
de ojerizas
daí, piada racista,
vocativo homofóbico,
enquanto
sem saber não estar só
silenciosamente rogo,

afastem-se.

sábado, 4 de outubro de 2014

Destinatários

Ainda a espera de correspondências
Flores que despontam de portas
Que nada vêem
Delineia mais uma palavra paisagem
mais um aguardo
Entre paredes de carne
E sons

Íntimo sobressalto da seiva

Que a mão jamais alcançará

terça-feira, 22 de julho de 2014

O silêncio da chuva

Falam demais os dias de julho
Entre as melodias das lembranças
E tuas ausências em bocas alheias
E teus cabelos que se vê pelas ruas
E tetos divididos com a dúvida
- e dívidas e dádivas
Os murmúrios da chuva falam demais
São versos sonolentos, encharcados de sonhos

Onde teu nome é silencio e saudade.

sábado, 12 de julho de 2014

Âncora

Saber que se amavam
Calava lavas e dores muitas
Pois que em vozes outras
Deles, minhas, muitas
 Miram serpentes de espelhos
Cacos de vidros d’água
E línguas que conduzem a nada
Presente que escorre
                                     A miúde



sexta-feira, 9 de maio de 2014

Pálida nota

Aquela mulher
toda música
escorrendo chuva
por todas as horas

Aquela mulher
toda musa
aguando jardins
e línguas inglórias

Aquela mulher
estética escusa
lambendo as sílabas
de todos os versos.